12 anos depois, Poços de Caldas elege um deputado (estadual) de seu próprio colégio eleitoral. Com 63.738 votos (26.321 em Poços de Caldas), o ex-vereador Marcelo Heito da Silva (PL) foi eleito para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais. A última vez em que a municipalidade tinha conseguido eleger representantes locais foi na eleição de 2010, quando o ex-prefeito Geraldo Thadeu foi para Brasília e o Carlos Mosconi foi para BH. Depois disso, foram inúmeras candidaturas, pelos mais diversos partidos, fracassadas em 2014, 2018 e 2022.
Desde antes das convenções e das definições, Marcelo adotou uma estratégia consistente para fortalecer sua propositura. Estreitou laços com a direção nacional e estadual do seu partido para ter mais perspectivas e mais difusão e alcance de sua candidatura. Estabeleceu uma "dobradinha" com o deputado Nikolas Ferreira - que já tinha tido a maior votação para deputado federal em 2022. Com isso, marcou presença em praticamente todos os municípios do Sul e Minas e isso deu um impulso muito grande em sua divulgação.
Ao abrir o leque, Marcelo conseguiu se livrar da dependência dos votos sempre pulverizados e nunca fidelizados do eleitorado de Poços de Caldas - o maior do Sul de Minas e que mesmo assim passou 4 legislaturas sem eleger um único representante local. Depois que a cidade perdeu seu protagonismo político para outras cidades da região, todo candidato que não conseguisse ampliar esta presença regional, inevitavelmente fracassava justamente pela falta de fidelidade do eleitorado sulfuroso. Em 2018, a dobradinha Ulisses Guimarães / Dr. Mosconi chegou muito perto de rompera esta barreira, mas ambos "bateram na trave". Dr. Mosconi teve cerca de 66.000 votos para deputado federal e ficou com a 2ª suplência da coligação do PSDB. Ulisses teve quase 49.000 votos pelo PTB e ficou com a 1ª suplência do partido. Neste ano, o poços-caldense Mauro Tramonte obteve a então maior votação da história para a Assembleia Legislativa, mas conseguiu este feito graças à projeção que lhe foi dada pelo programa de TV Record "Balanço Geral", pois se dependesse do eleitorado local, não teria a menor chance. Em 2022 a situação de Poços ficou ainda pior e ninguém chegou nem perto de uma suplência.
No tabuleiro político de Poços de Caldas, Marcelo saí desta eleição com o maior cacife eleitoral e certamente vai ter grande importância nas articulações e discussões a respeito da próximo eleição municipal de 2028. Neste ano, formou uma chapa local com o ex-prefeito Sérgio (contra o qual disputou as últimas eleições em 2024). Porém, ainda é muito cedo para traçar qualquer previsão do que vai ocorrer neste cenário - a vitória nas urnas ainda nem foi assimilada. Porém, uma coisa é certa: não vai haver aquela divisão do grupo político no último pleito e Marcelo com certeza vai ter papel fundamental nestas decisões.
Depois de 12 anos, Poços de Caldas elege um deputado para chamar de "seu"



