Álvaro Cagnani pede detalhes sobre geração de energia a partir do esgoto
O vereador Álvaro Cagnani (PSDB) apresentou, no Plenário da Câmara Municipal de Poços de Caldas, o requerimento nº 4197/2025, no qual solicitou detalhes sobre a viabilidade de implantação de um sistema de geração de energia a partir do tratamento do esgoto. O documento segue a linha do requerimento nº 570/2019, no qual o parlamentar pediu informações sobre o mesmo assunto, além dos funcionamentos das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) da cidade.
Conforme fundamentação de Álvaro no requerimento, tecnologias existentes e práticas adotadas por outros municípios já realizam a transformação da captação de resíduos para transformação em energia hidrelétrica. Em 2019, o então diretor-presidente do Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE), Antonio Roberto Menezes, alegou que havia estudos de concepção de um projeto que possibilitasse tal geração, a partir do desnível do Emissário da ETE-I. Já o DME Poços de Caldas Participações S. A. argumentou, na ocasião, que por mais que fosse factível, a vazão do esgoto seria pequena e inconstante para geração de energia, tornando o processo “oneroso e ineficiente”, não negando, porém, a possibilidade de dar andamento em estudos futuros.
Em resposta ao requerimento nº 4197/2025, o DMAE encaminhou ao vereador um estudo sobre a possível implantação de uma Central Geradora Hidrelétrica (CGH) na ETE-I. De acordo com o Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica, o desnível de 191,66 metros existente no local possibilita o aproveitamento da energia dissipada pela precipitação do esgoto. O denominado Projeto Básico é considerado economicamente viável, embora ainda necessite de maior detalhamento para uma futura implantação. O levantamento também explica que a minicentral operaria no modelo de geração distribuída. Assim, a eletricidade produzida seria transformada em créditos para compensar o consumo do próprio DMAE junto ao DME, em vez de ser comercializada, reduzindo os gastos da autarquia com a conta de energia.
Na resposta encaminhada à Câmara, o DMAE também informou que o estudo foi desenvolvido pela própria autarquia, enquanto o DME esclareceu que não realizou levantamentos recentes sobre a geração de energia por meio da vazão do esgoto no emissário da estação de tratamento.
O requerimento ainda abordou a situação da Estação de Tratamento de Esgoto III (ETE-III). Segundo o DMAE, o problema de funcionamento da unidade foi solucionado com a substituição das tampas dos reatores por estruturas de fibra, modelo já utilizado na ETE-I. De acordo com a autarquia, após a instalação do novo sistema, a estação passou a apresentar resultados satisfatórios de eficiência no processo de tratamento.
Em relação à mistura de águas pluviais com a rede de esgoto, o Departamento informou que mantém ações permanentes de fiscalização em diversos bairros do município para identificar e corrigir ligações irregulares, realizando novas vistorias inclusive em regiões que já passaram por inspeções anteriormente.
Para Álvaro Cagnani, as informações representam um avanço, mas também demonstram a importância de acompanhar a evolução dos estudos e das melhorias realizadas pelo município. "Fico satisfeito em saber que existem estudos apontando essa possibilidade e que também foram adotadas medidas para melhorar o funcionamento das estações. Agora, acredito que o caminho é manter esse diálogo e acompanhar os próximos passos, para que essas iniciativas possam, no momento certo, trazer benefícios para a cidade e para a população", afirmou o vereador.